Cave apresenta “Assombro”, primeira exposição individual de Rita Lessa. A mostra reúne pinturas, têxteis e esculturas de um um trabalho de 50 anos da artista.

A Cave apresenta a exposição “Assombro”, primeira individual da artista mineira Rita Lessa. Com a curadoria de Lucas Dilacerda, a mostra em cartaz até 6 de junho reúne pinturas, têxteis e esculturas que atravessam 50 anos de pesquisa e produção sobre a imagem como um campo de manifestação de imagens do inconsciente.

Obra de Rita Lessa.

Nascida em Belo Horizonte, em 1959, Rita Lessa foi aluna de Amilcar de Castro na Escola Guignard, estudou com Lygia Pape, e conviveu com Nise da Silveira no Museu de Imagens do Inconsciente. A artista compreende a pintura como uma escuta, isto é, como um meio de acessar dimensões subterrâneas da experiência, onde formas emergem como presenças híbridas, situadas entre figuração e abstração.

Obra de Rita Lessa.

Em “Assombro”, essa pesquisa ganha densidade ao apresentar a imagem não como representação, mas como condensação de forças. Clarissa Diniz, que assina o texto crítico da mostra, diz que a obra de Rita funciona como:

“Um ecossistema figuratório que não anseia ser um arquivo de imagens, senão um sistema vivo e aberto de figuráveis relações. Nele, linhas, corpos, grafismos, movimentos e manchas se articulam num regime de figurabilidade que tensiona os limites entre o figurativo e o não figurativo.” —Clarissa Diniz

As imagens de Rita nascem do espanto primordial com o mundo, desse contato avassalador do sujeito com o fora. A sua pintura é uma escuta das vozes de um inconsciente coletivo, de uma dimensão subterrânea da realidade que nos atravessa e nos constitui, uma dimensão que é povoada por imagens que estruturam a nossa cultura e a nossa subjetividade em sua dimensão simbólica e sensorial. A sua pintura é uma escuta das imagens mais primordiais da humanidade. As suas telas são verdadeiros portais que libertam/dão vazão e passagem à esses impulsos, que se apresentam como criaturas que apelam para se materializar em pinturas, esculturas e tecidos, encharcados de matéria, que improvisam uma arquitetura frágil, cambiante e pós-apocalíptica.

Obra de Rita Lessa.

As obras instauram um regime figural em permanente transformação. Corpos indeterminados, ao mesmo tempo orgânicos e geométricos, parecem surgir de um campo de intensidades que atravessa o inconsciente, convocando o espectador a uma experiência que ultrapassa a leitura racional.

“As imagens fulgurantes de Rita habitam o limiar tênue entre a figuração e a abstração, entre o concretismo e a geometria livre, entre o belo e o grotesco, entre o estranho e o familiar. A pesquisa dela articula diversos temas como arte povera, surrealismo, misticismo, erotismo, fantasmagoria e bestiário medieval. Com uma mão descolonizada da representação, o seu traço livre se aproxima dos desenhos de criança, articulando impulsos primevos e signos selvagens”.—Lucas Dilacerda

A produção da artista apresenta temas como corpo, espiritualidade, fantasmagoria e cosmogonia, propondo uma pintura que se aproxima de uma escuta do inconsciente coletivo. Suas telas operam como portais para imagens primordiais, anteriores à linguagem, que estruturam a experiência sensível e simbólica.

Obra de Rita Lessa.

Esse impulso também se desdobra nos trabalhos têxteis e escultóricos presentes na exposição. Tecidos densamente impregnados de matéria configuram arquiteturas frágeis e mutantes, enquanto esculturas prolongam no espaço essas presenças espectrais, criando um ambiente que tensiona percepção e linguagem. A exposição propõe um deslocamento do olhar, instaurando uma zona onde a imagem deixa de ser signo para se tornar acontecimento.


SERVIÇO: Exposição Assombro, de Rita Lessa. Em cartaz até 6 de junho de 2026 na Cave – Fortaleza. Entrada: gratuita.

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Publicado por:Philos

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